10/08/2020 às 16h02min - Atualizada em 10/08/2020 às 16h00min

A transexualidade reforça esteriótipos

Na tentativa de representar, a condição só atrapalha

DO AUTOR
Kaio Lopes
A CRÍTICA (REPRODUÇÃO)
A discussão da transexualidade e o avanço dessa disforia psicológica e fisiológica na sociedade, quase sempre, cai na mesmice do palco político, isto porque, claro, a esquerda tem o domínio da linguagem e faz questão de associá-la às suas estratégias de poder. No entanto, a questão é ampla e estende-se, inclusive, ao âmbito da saúde. Em 2018, como forma de mitigar as constantes cobranças contra suas definições, a OMS, em mais uma das suas posições controversas, deixou de considerar o transexual como doente classificado no CID (Classificação Internacional de Doenças), ao passo em que passou a reconhecer o ''vício em videogames'' como distúrbio comportamental. 

Já que a Organização, agora subserviente à novilíngua, prestou um desserviço à medicina, falemos de um aspecto menos balizado: a deturpação das imagens feminina e masculina por meio de reforços esteriotipados daquilo que representam. O mesmo grupo responsável por criticar os papéis de gênero e tratá-los como consequências de supostas construções sociais, na maioria das vezes, cria uma versão bizarra tanto da mulher quanto do homem, ora através do exagero estético no primeiro caso, outrora via masculinização superficial no segundo. 

Não é raro, portanto, que encontremos na caricatura transexual um errôneo figurino do que é ser homem ou mulher; o primeiro se abdica da sua feminilidade natural na intenção de engrossar a voz e vestir-se de maneira a omitir seu gênero biológico; a segunda, por sua vez, renuncia ao seu corpo masculino na pretensão de extirpar partes corporais inerentes ao seu gênero, ignorando qualquer senso religioso, e constrói um personagem social excessivamente maquiado e assustadoramente incomum. Ambos diferem, contudo, dos seus propósitos de representação sexual, não raramente incumbidos de comportamentos animalescos, e contribuem, no final das contas, para aquilo à que se opõem: a falsa expressão do gênero. 

É importante, no entanto, que tratemos o assunto com respeitabilidade ideológica e tenhamos a dicotomia adequada entre o pensamento religioso e a escolha individual baseada nas próprias definições morais, éticas e psicológicas. Apesar disso, não é nenhum absurdo constatarmos, à luz da consciência: a transexualidade não ajuda na luta contra os pré-conceitos, uma vez que a percepção rasteira e supérflua das identidades é própria dela. Ou seja: ela não é benéfica, mas potencialmente prejudicial.
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