17/07/2020 às 14h50min - Atualizada em 17/07/2020 às 14h48min

CONHEÇA A ESQUERDOFRENIA

Regurgitada de adeptos, a doença se tornou orgânica

DO AUTOR
Kaio Lopes
JORNAL DA CIDADE

Quando a esquizofrenia foi diagnosticada, ainda sob perspectivas médicas a partir de diagnósticos em pacientes com constantes transtornos de perturbação mental, que não possuíam capacidade de discernimento e distinção entre o irreal e o real, quaisquer comportamentos cercados de confusões mentais ensejavam novas pesquisas. E, daí em diante, foram descobertos alguns fatores a respeito da doença: não ter cura é um deles.

No entanto, o que nenhum PhD em Medicina de Harvard ou Yale poderia prever é o surgimento de uma nova categoria emergente da condição, cujo nome entitula o artigo: a esquerdofrenia; nesta última, os pacientes não se interessam por tratamento, pois, suscetíveis às fantasias submetidas, aparentam prazer e realização sobre aquilo que os personificam: a imaginação. Poderíamos enquadrá-los num quadro de “Síndrome de Peter Pan”, afinal, a superação da infância para a entrada na vida adulta é inibida por um processo de involução da espécie e degradação mental em detrimento ao desenvolvimento corporal e cronológico. A esquerdofrenia, porém, ao contrário de sua categoria antecessora, é endêmica e gradativamente aceita nas mais diversas esferas (leia-se: do campo acadêmico às calçadas das ruas), ora, pois, o seu charme está justamente na aplicação frequente de doses da ignorância em virtude da sua sustenção social.

Os pacientes esquerdofrênicos apresentam instabilidades descomunais de caráter, desvios da ordem pública e achincalhamento na vida privada. Possuem desdém maior que noção, juízo menor que razão e corações em supérfluas versões. Acima de tudo e abaixo de toda escória social, ou seja, seu alicerce, os pacientes em questão, aferentes do despeito ao bom-senso, fazem questão de vangloriar seus atestados mentais como diplomas rústicos e poderosos nas paredes brancas dos seus quartos escusos.

Contudo, ao passo em que somos apresentados aos riscos da doença, tornamo-nos iscas intrínsecas para a propagação da praga, já que a permissibilidade e permeabilidade propiciadas pelas nossas idiossincrasias democráticas dá vazão aos discursos antagônicos e platônicos dos doentes terminais, que, por suas vezes, entre jargões e obviedades, introduzem loucuras nocivas numa deturpação visual da palavra RESISTÊNCIA.

Para finalizar, é imprescindível que evitemos ouvi-los mais que aos seus gritos e indispensável que permitamos gritá-los. Para toda uma insanidade há uma camisa de força, aliás, para esta em particular, a internação é a sua exposição à realidade, que lhe trará, senão uma injeção de realismo, um milagroso clarão intelectual.

Link
Kaio Lopes

Kaio Lopes

Crônicas e posições em geral.

Tags »
Relacionadas »
Comentários »

Você votaria em Bolsonaro para Presidente em 2022?

90.2%
9.8%