31/07/2020 às 01h08min - Atualizada em 31/07/2020 às 01h07min

O AI-5 de Alexandre

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez mais um aceno ao autoritarismo na noite desta quinta-feira (30). Na semana passada, o togado havia determinado a suspensão de 16 contas de conservadores no Twitter, mas isso não foi o suficiente. Em uma nova decisão, publicada na noite de hoje, Moraes amplia a censura e determina que o Twitter realize o bloqueio das contas também no exterior.

Pasmem, nem o Twitter, conhecido carinhosamente por "Red Bird", por suas preferências ideológicas, reconheceu a determinação do ministro como legítima. Em nota, a rede social informou a decisão do STF.

"O Twitter bloqueou as contas para atender a uma ordem judicial proveniente de inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora não caiba ao Twitter defender a legalidade do conteúdo postado ou a conduta das pessoas impactadas pela referida ordem, a empresa considera a determinação desproporcional sob a ótica do regime de liberdade de expressão vigente no Brasil e, por isso, irá recorrer da decisão de bloqueio", informou.

A RAIZ DA CENSURA TUPINIQUIM ESTÁ NA RÚSSIA



Não foi do dia para a noite que Moraes se sentiu a vontade para desafiar o artigo 5º da Constituição Federal. Para justificar as prisões e a perseguição a apoiadores conservadores do presidente Jair Bolsonaro, Alexandre baseou-se no polêmico "Inquérito das Fake News", do qual ele mesmo é relator. Puxando o fio, vamos ver que o tal inquérito tem base na CPMI das Fake News, presidida no Congresso Nacional pelo Senador Angelo Coronel, do Partido Social Democrático (PSD). O parlamentar, que parece estar decidido a brecar a expansão da mídia conservadora, viajou para a Rússia em 2019, segundo ele, para "absorver conhecimento para combater o mal das fake news".

A gestão de Vladmir Putin na Rússica, herdeira do regime comunista construído pelos genocidas Vladmir Lênin e Josef Stálin, é considerada uma das mais ditatoriais do mundo. Na terra de Lênin, o controle sobre o conteúdo publicado na internet e nos jornais é rígido e atinge também grandes veículos de comunicação russos. Em Moscow, jornalistas, blogueiros e ativistas são presos por "traição ao governo",

As autoridades brasileiras estão diante de uma dúvida cruel: seria melhor transformar o país em uma versão tupiniquim de Moscow ou de Hong Kong? 
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