15/07/2020 às 17h13min - Atualizada em 15/07/2020 às 16h59min

​Metamorfose à vista? Dragão pode virar lagartixa

Anos de omissão criaram um dragão que agora quer cuspir fogo

Luiz Custodio

A China, na sua ânsia e desejo pelo domínio mundial, tenta impor sua vontade à força sobre outras nações mais desfavorecidas belicamente, indo de encontro ao contundente posicionamento do secretário de Estado Mike Pompeu, que afirmou que os Estados Unidos não aceitarão as reivindicações chinesas no Mar do Sul da China e que trabalharam em conjunto com outros países para impedir isso.
 
Em 2009 Hu Jintao, o então secretário do (PCC) - Partido Comunista Chinês, anunciou a chamada linha dos 19 traços, uma reivindicação territorial englobando todo o mar do sul da china, inclusive a zona econômica exclusiva de países como as Filipinas Malásia e o Vietnã. Em 2014, com a China já sob a liderança de Xi Jinping, imagens de satélites mostraram aquilo que parecia ser a construção de várias ilhas artificiais em todo aquele mar com algumas dessas construções se realizando a menos de 150 km da costa das Filipinas e do Vietnã, uma clara violação das leis do mar da ONU, além disso, as construções feitas em cima de recifes de coral causaram um desastre ambiental de proporções nunca vistas e sem que nenhum veículo de notícias alardeasse o fato, destruindo ecossistemas marinhos inteiros, um verdadeiro crime ambiental que se tivesse sido cometido por qualquer democracia, teria gerado protestos ensurdecedores por todo mundo.
 
Confrontado, Xi Jinping garantiu aos Estados Unidos que aquelas ilhas não passavam de instalações para auxiliar o tráfego marítimo civil e que não eram e nunca seriam instalações militares, mas em 2016, novas imagens provaram o contrário, mostrando que em muitas das ilhas, tinham sido construídos bunkers e instalados lançadores móveis de mísseis antiaéreos e antinavio, provando que as ilhas eram de fato, instalações militares construídas com o claro propósito de reforçar as indicações territoriais anunciadas por Hu Jintao. No seu plano da linha dos nove traços, o mar do sul da china é muito importante por vários motivos, é por lá que passa um terço de todo o tráfego marítimo internacional e se trata de um mar muito rico em recursos, com uma pesca abundante, e principalmente o óleo e o gás natural.
 
Em 2016, o Tribunal Internacional de Haya, julgou esse caso concluindo que o motivo alegado pelos chineses, de que aquelas áreas pertenciam a china no passado, não tem qualquer embasamento histórico, com o tribunal julgando ilegal aquelas reinvindicações, mas a China com uma marinha muito maior do que a de qualquer outro país da região, ignorou a decisão do tribunal e continuou a construção das ilhas e aumentou ainda mais a intimidação sobre os seus vizinhos,  realizando incursões na zona econômica exclusiva do Vietnã e das Filipinas com frotas de dezenas de navios pesqueiros e estrategicamente protegidos por navios de guerra, com a china empregando navios militares disfarçados de navio civis, aproximando-se de navios vietnamitas e filipinos e abalroando os ou obrigando-os a abandonarem a área por meio da intimidação.
 
Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos em 2017, o Presidente Trump, vem apertando o cerco e endurecendo o discurso contra a China, com seu Secretário da Defesa Mike Pompeu, fazendo agora em Julho, uma declaração muito dura e contundente, dizendo que as reinvindicações chinesas sobre aquele mar, são totalmente ilegais e acusando também Pequim de usar da intimidação contra essas nações, com o objetivo de se apossar ilegalmente de valiosos recursos marinhos, ignorando leis, tratados e convenções internacionais, e concluiu dizendo que os Estados Unidos não permitirão que a China trate aquele mar como o seu império marítimo particular, e que irão trabalhar em conjunto com os outros países da região para impedir que a China controle à força todos aqueles importantes recursos.
 
Essa declaração veio quatro anos após o Tribunal Internacional de Haya julgar como ilegal, as reinvindicações chinesas e veio poucos dias após os Estados Unidos realizarem naquele mar, manobras navais envolvendo dois porta-aviões. Todas essas ações chinesas de intimidação, estão criando um bloco sólido na região liderado pelos Estados Unidos e formado por países como Vietnã, as Filipinas, a Malásia, Indonésia, Taiwan, Coreia do Sul e o Japão. No desejo compulsivo de dominar o mundo, usando a intimidação e ignorando as leis e convenções internacionais, a China corre o risco de em breve se colocar numa perigosa e muito delicada situação de isolamento. O dragão cresceu, criou asas e agora alça voo, intimidando todos à sua volta, já passou da hora de cortar suas asinhas.  
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