26/07/2020 às 22h22min - Atualizada em 26/07/2020 às 22h22min

A última tentação – Parte 1

O ser humano e sua busca pela imortalidade

Luiz Custodio
Caro leitor, primeiramente devo alertá-lo que este texto não tem a menor pretensão de evangelizá-lo, de certo também não tenho essa vocação, porém trago até você uma oportunidade de análise de pensamento, baseada em um contexto que tem sua origem desde Gênese, quando após comer do fruto da árvore do conhecimento, o homem e a mulher, adquiriram a sabedoria do que é bom e mau. Como castigo, perderam sua imortalidade e foram expulsos do paraíso e desde então percebe-se que os seres humanos são obcecados pela longevidade, com alguns indo mais além e percorrendo todos os caminhos possíveis em busca do elixir da vida, a fonte da juventude ou mais precisamente a imortalidade.
 
Quem nunca pensou alguma vez em fazer uma cirurgia estética para ter uma aparência mais jovem? Ou tomar vitaminas para se manter mais saudável, e portanto, ser mais longevo?
 
A narrativa de vários mitos em diferentes épocas e culturas, dedicam parte de suas atenções à conquista da imortalidade. No entanto, toda essa obstinada procura se distancia daquela crença na vida após a morte vivida por uma alma imortal, sendo princípio fundamental de muitos ramos religiosos, em outras palavras, a vida eterna com Deus (vida espiritual) não combina com uma vida física infinita aqui na Terra. Dito isto, assumimos que estamos aqui de passagem e o curso natural das coisas deve seguir de maneira que a morte um dia chegará a todos nós, e que deve ser encarada com naturalidade pois não é o fim e sim o começo de uma nova etapa.
 
Desde o pecado original o conhecimento foi adquirido tanto para o bem quanto para o mau. Esse conhecimento oculto está sendo revelado e desenvolvido de uma forma cada vez mais rápida, sua disseminação vem moldando as sociedades ao longo do tempo e exatamente neste ponto onde quero chegar, o momento pelo qual estamos entrando para a sociedade 5.0.
 
Muitos são aqueles que olham com esperança para uma nova sociedade, os cegos poderão enxergar, amputados poderão andar naturalmente, pegar coisas, mas qual seria o limite? Uma pessoa com a visão perfeita pode trocar seus olhos por um par biônico com vantagens inimagináveis ou até transferir seu cérebro para a carcaça de uma máquina e ainda assim ser considerado humano? É fato que muitas pessoas pagam caro para manterem seus corpos congelados, com a esperança de no futuro conseguirem a vida eterna por meio da tecnologia.

Com esse andar da carruagem, isso pode ser considerado em pouco tempo como o novo normal, pois nessa agenda, o ser humano é visto como o principal fator gerador de todos os problemas, devendo portanto, ser aprimorado com tecnologia avançada na superação dos limites impostos pela condição humana. Limitações intelectuais, físicas e psicológicas podem e devem, de acordo com os transhumanistas, ser ultrapassadas com o apoio da biotecnologia, nanotecnologia e neurotecnologia.

Desde de muito tempo, Hollywood vem cumprindo bem seu papel para o avanço dessa agenda da sociedade 5.0 ou transhumanismo, lembra do filme Robocop? Homem de ferro? Pense, no que eles têm em comum? Até em jogos de vídeo game, isso sempre foi abordado.

O termo transhumanismo foi criado pelo biólogo britânico Julian Huxley, irmão do escritor Aldous Huxley, em 1957. Huxley definia este conceito como “homem continuando homem, mas transcendendo, ao perceber novas possibilidades de e para sua natureza humana". Os ideais transhumanistas se fundamentam, basicamente, em dois pilares, de acordo com filósofo brasileiro Gledinélio Silva Santos. O primeiro deles seria o combate ao envelhecimento e, em consequência disso, a morte; o segundo, é o que trata a simbiose entre orgânico e cibernético como o próximo passo da evolução humana.
 
Continua...
Até breve!

 

 

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