24/07/2020 às 15h37min - Atualizada em 24/07/2020 às 15h36min

MBL derrete no forno do DEM

DO AUTOR
Kaio Lopes
Kim Kataguiri, líder do MBL e um dos deputados federais mais votados em 2018 (IG)
Um dos meus princípios, enquanto direitista, é a admissão do erro. Então, hei de confessá-los: o MBL foi um dos maiores, senão o maior deles. É como se agora o grupo representasse tudo aquilo que julgara oposto. E pior: fechasse os olhos para as obviedades ao seu redor. O Movimento teve seus acertos, não nego: foi um dos grandes responsáveis pelo justo impeachment de Dilma, também colaboracionista principal para o avanço do anti-petismo, à época, ações primárias para o estabelecimento e o ressurgimento da direita. Os seus líderes, no entanto, resistiram ao efeito-Bolsonaro até perceberem, estrategicamente, o quão vantajoso seria manobrarem na crista da onda. E o fizeram como poucos. Já sabidos da influência que exerciam sobre uma iminente leva de eleitores e acordados à figuras centrais contra o PT, as cabeças políticas do grupo corroboraram ideias de Bolsonaro - incluindo medidas duras contra o enfrentamento da esquerda - e iniciaram campanhas em alusão à Reforma Previdenciária. Outubro de 2018 e o êxito dos discursos: o MBL, que já havia eleito Fernando Holiday em 2016, colocou seu líder, Kim Kataguiri, na Câmara Federal, e o seu fenômeno da internet, Arthur do Val (MAMÃE, FALEI!), na Alesp. 

A princípio, ainda novos e entusiasmados, Kim e Arthur mantiveram as posturas de outrora e até abriram mão de benefícios - como assessores e auxílios legais previstos pelos mandatos. O problema, porém, é que os dois foram eleitos pelo DEM. A sigla, tão velha quanto sem propósito, viu-se dividida entre a cúpula de Rodrigo Maia e a de Kataguiri, na oportunidade em que os dois pleiteavam a presidência da Câmara: o primeiro venceu. O segundo percebeu, de imediato, haver um jogo brasiliense que destoa da sua personalidade interiorana. Entre os dois pesos e as duas medidas, tomara a decisão mais fácil e conveniente. Ele se rendeu ao jogar as cartas na mesa do plenário. 

Há três classes, neste país, que necessitam de oposição ao governo vigente, não importa quais sejam de fato seus intuitos: os fetichistas da MPB; o núcleo falido do rock; e por último, não menos vexatória, a oportunista reunião daqueles que, até então, exclamavam pela situação. O MBL se enquadra neste último cenário. ora, pois, de repente, fez da covardia política sua arma maior de enfrentamento ao presidente eleito. Descobriram haver maior propensão de sucesso sob um ponto de vista erronêo: o da cegueira. Parecem não ter prestado atenção ao maior rockeiro brasileiro quando ele cantou-nos ''Quem não tem colírio usa óculos escuros. Quem não tem filé, come pão e osso duro. Quem não tem visão, bate a cara contra o muro''. 

Ainda que conheçam os labirintos paulistanos como ninguém e saibam quais são as avenidas a serem tomadas e as esquinas a serem viradas, o MBL perdeu a direção e esqueceu o juízo no centro da capital financeira para jamais recuperá-lo no centrão da capital política. Se a intenção dos seus fundadores era manter apoio e apelo popular, deverão retomá-la e reformá-la como um cristão diante do padre no confessionário. O que restou do Movimento Brasil Livre são as cinzas profanas na fogueira da realidade. Se esqueceu do Brasil e abriu mão da liberdade. Fechou questão de ordem com o cova dos leões, sem perceber que, entre eles, não há nenhum Daniel. 

Estão derretidos e abandonados: atacaram a esquerda e se abdicaram da direita. A isenção causa isso: queima em terceiro grau.
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Kaio Lopes

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Crônicas e posições em geral.

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