14/11/2021 às 19h12min - Atualizada em 14/11/2021 às 19h40min

Saiba porque a China é uma ameaça ao Brasil hoje.

O desejo de dominar o mundo está no DNA da oligarquia chinesa desde o início da sua história e é importante entender quais são os objetivos e o quão impactante isso pode ser para a soberania do Brasil. A nossa compreensão através da linha do tempo da China é condição sine qua non.

Claudia Ribas

Sob o comando do ditador Xi Jinping, a China está às vésperas de se tornar a maior economia do mundo, com o maior exército em defesa da sua soberania. Nessa agenda, o Brasil é um dos principais alvos.

O desejo de dominar o mundo está no DNA da oligarquia chinesa desde o início da sua história e é importante entender quais são os objetivos e o quão impactante isso pode ser para a soberania do Brasil. A nossa compreensão através da linha do tempo da China é condição sine qua non.

A China é uma das mais antigas civilizações do mundo e o país mais populoso, correspondendo 1/5 da população da Terra e quase sete vezes mais que a população do Brasil. Foi governada por dinastias durante a maior parte da sua história. Três dinastias governaram a China entre o início do segundo milênio antes de Cristo e o ano 221 A.C..

Desde 1927 os comunistas já tentavam tomar o poder, mas foi em 1947 que o partido comunista assumiu o poder na China e seu líder era Mao Tsé-tung, que anunciou o nascimento de uma nova nação - 'A República Popular da China'. Mao foi fundamental no sucesso dos comunistas nos anos seguintes da história chinesa. Após a sua morte, em 1976, seu sucessor Hua Guofeng perdeu o poder para Deng Xiaoping, líder pragmático que colocou fim à política revolucionária mantendo um estado centralizado e autoritário.

Deng implantou a economia de mercado e realizou uma política de aproximação com o Japão e os Estados Unidos, atraindo capitais estrangeiros para o país. Reaproximou-se do governo soviético (1989) e, junto com Mikhail Gorbatchev, anunciou a normalização das relações entre China e a União Soviética. No campo político manteve-se irredutível na defesa de um partido único, com rigoroso controle sobre qualquer oposição. Morreu em Pequim, com sua imagem ainda marcada negativamente por autorizar o Exército Nacional a esmagar violentamente os movimentos estudantis com reformas democráticas, concentrados na praça da Paz Celestial, em Pequim (1989), provocando milhares de mortes.

A China em sua trajetória histórica sempre deixou claro que quer dominar o mundo, e agora parece ter chegado o seu momento. Xi Jinping está virando a balança global do poder com uma agenda autoritária e uma muralha de ferro construída por mais de um milhão e quatrocentos mil chineses.

Sem guerra ou invasão de território, a China vem ganhando as batalhas praticando 'A Arte da Guerra' - Sun Tzun - 544 a.C. 496 a.C. Xi Jinping vem dominando o mundo através do comércio, da economia global e setores estratégicos. Há uma década a China apresentava uma imagem modesta para o mundo. Os ministros chineses afirmavam que a China ainda era uma nação em desenvolvimento e que o ocidente era referência e modelo de aprendizado. Assim escondiam o potencial enquanto aguardavam o momento.

Um chefe que é capaz deve fingir ser incapaz; se está pronto, deve fingir-se despreparado; se estiver perto do inimigo deve parecer estar longe.

Sun Tzu

 

Como a China evoluiu de uma sociedade agrícola empobrecida, para a potência atual?

Como conseqüência da opção do governo Chinês em adaptar um modelo econômico baseado nos princípios socialistas de economia planejada em um modelo de economia de mercado, a entrada da China na OMC foi por meio de uma economia socialista de mercado, bem como a estabilização das relações comerciais com os demais países. A vontade política dos membros da OMC de integrarem a China no seio da organização foi com o objetivo da liberalização do comércio por meios de negociação de regras e supervisão da sua aplicação. Os interesses foram satisfeitos dos dois lados: a China, ao transformar o comércio internacional em ponto central da sua política de crescimento, necessitava da garantia das regras da OMC de que suas exportações não seriam discriminadas; e os demais membros da OMC, atraídos pelo vasto mercado chinês, em fase de abertura, consideravam que as regras existentes seriam a garantia de que a invasão dos produtos chineses poderia ser controlada. A China era uma das 23 partes contratantes do antigo GATT – Acordo Geral de Tarifas e Comércio, que entrou em vigor em 1948. O governo de Taiwan decidiu unilateralmente se retirar do acordo em 1949 com a revolução. O governo da República Popular da China solicitou o status de parte contratante em 1986. Em 1987 um Grupo de Trabalho foi criado e por 14 anos a acessão da China foi negociada. Participando como observadora da Rodada Uruguai assinou a Ata Final de Marraqueche, mas o seu status de membro da OMC não foi reconhecido. Somente em novembro 2001 as negociações para a acessão foram concluídas, no momento em que se lançou uma nova rodada de negociações da OMC, a Rodada de Doha.

Made in China tornou-se uma marca em si mesmo e a China progressivamente se tornou a fábrica do mundo. Com ganho de poder econômico a China isolou politicamente Taiwan e tenta responsabilizar criminalmente todos os políticos e militares soberanistas que defendem a independência da ilha. A crise diplomática entre China e Taiwan escalonou recentemente e ganhou mais um capítulo após a presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, declarar que seu país não se curvará às pressões do vizinho continental que faz exercícios militares com aviões próximos ao espaço aéreo da ilha. As ações desencadearam uma série de reações.

A ação, que envolve navios e aviões chineses visa pressionar não só Taiwan, mas o Japão, EUA e aliados ocidentais. A ditadura comunista considera Taiwan uma província rebelde a ser reincorporada à China. O novo governo japonês, que assumiu no mês passado, declarou publicamente, pela primeira vez, que poderá ter de agir para conter a China em Taiwan. O exercício no mar do Leste da China também mira o Japão, que tem ilhas com reservas petrolíferas na região disputadas por Pequim.

O projeto de infraestrutura mais ambicioso da China é na verdade um plano para dominar o mundo – o Belt and Road Initiative (Nova Rota da seda) – que está enfrentando muitos obstáculos. A iniciativa é um instrumento da sua geopolítica oriunda da estratégia chinesa no tocante às disputas de poder global conhecidas no cenário internacional. A Iniciativa apresentada como One Belt and One Road para a comunidade internacional tem como objetivo realizar investimentos ao redor do mundo em infraestrutura, de forma a colaborar com o desenvolvimento nacional dos países auxiliados pelo programa chinês. Inicialmente, 65 países eram esperados a cooperarem, hoje são cerca de 152 países e organizações internacionais em todos os continentes existentes. O gigante chinês dá preferência para projetos de infraestrutura que possam melhorar a distribuição de energia, água e até mesmo internet. Além de desenvolver ferrovias, oleodutos, gasodutos e portos ao longo dos países que têm acordo de cooperação. Alguns países e até mesmo o governo norte-americano vê o projeto como uma extensão perigosa do poder chinês. Países opositores questionam a intensão chinesa na disponibilização dos investimentos para países com o “score” baixo no sistema monetário internacional.

Em setembro de 2021 a Bloomberg Opinion alertou que a China está de olho nos magnatas do setor imobiliário. Esse é um mercado que está superaquecido e tem sido um fator de agitação social e que é questão de tempo até que Pequim vise o setor em sua campanha de distribuição de renda. O objetivo é controlar os bilionários e reduzir as desigualdades, os reguladores apertaram o cerco contra as gigantes da tecnologia e as incorporadoras imobiliárias da China continental, custando aos acionistas mais de US$ 1 trilhão durante o processo.

Por quanto tempo os magnatas do setor imobiliário de Hong Kong conseguirão permanecer ilesos?

O que os mais atentos percebem é que tudo está sendo preparado para uma terceira guerra mundial. O mundo corre sérios riscos por causa da disputa entre os gigantes. Não adianta torcer para um lado ou outro. Nosso papel é minimizar os efeitos finais dessa disputa para a sociedade.

As cadeias de abastecimento da China estão quebrando e o mundo inteiro vai pagar por isso, pois a co-dependência é mundial. Na China estão as fábricas do mundo, principalmente do ocidente. O Brasil depende mais da China do que o contrário. A China compra do Brasil muito alimento e commodities. Mas, por muito tempo, a China comprou acima da necessidade, estocou além do necessário por longos anos e, não foi pelo tamanho da população, mas pelo momento que o mundo está prestes a vivenciar.

O Brasil não está preparado. Os despertos que se preparem individualmente.

A cadeia de abastecimento global está com uma série de problemas por causa do medo de surtos do coronavírus e como consequência o mundo vai experimentar uma nova rodada de restrições devido à novas variantes ou outras pandemias já anunciadas e previstas.

A China está testando suas estratégias em um movimento contrário. O PCC está analisando a ascenção e queda das grandes potências. Pequim aprendeu com o colapso soviético. Gorbachev promoveu transformações políticas e econômicas na (URSS) que inspiraram muitos dos manifestantes em Pequim. A China está freneticamente operando em todas as frentes possíveis para cravar o seu poderio e dominância.

O Financial Times informou que Pequim lançou, em agosto de 2021, um míssil com capacidade nuclear que deu a volta na Terra em órbita baixa. Foi o novo teste espacial. As fontes afirmaram que o planador hipersônico foi transportado por um foguete Long March. Normalmente esses lançamentos são anunciados, mas o teste de agosto se manteve em segredo.

A China tem grandes ambições a respeito da exploração espacial, tais como enviar seus astronautas à Lua e lançar uma nova estação espacial própria. A exploração lunar do país, conhecida pelo programa Chang'e, é um bom exemplo do sucesso da China no espaço.

A China planejou um programa de longo prazo com a primeira missão, não tripulada (em 2007), chamada Chang'e 1, acreditando nas reservas lunares de metais como o ferro, e na presença do gás Hélio-3, muito raro na Terra. Em seguida, da Chang'e 2 à Chang'e 5, a China foi marcando sua presença na Lua.

A China planejava mapear a superfície lunar e explorar locais de pouso para futuras naves, e isso foi executado em apenas dois anos, com a sonda orbital Chang'e 1. A Change' 2 foi lançada com objetivos similares em 2010. Foi só com a Chang'e 3 que o país começou a pousar na Lua. Foi a terceira nação a fazer isso (depois da União Soviética e dos Estados Unidos).

Em dezembro de 2018 a Chang’e 4 levou consigo um módulo estacionário e um rover chamado Yutu-2, e pousou no lado afastado da Lua no início de 2019. Assim deram início às investigações na cratera Von Kármán, que fica dentro de uma cratera de impacto ainda maior, com o tamanho de 2.500 km. Essa pesquisa permanece até hoje.

A China deve alcançar a dominação no mercado de tecnologia graças aos avanços no campo de IA. Quem fez essa afirmativa foi o americano Nicolas Chaillan, que renunciou ao cargo de primeiro chefe de software do Pentágono em protesto pela lentidão do Exército dos EUA em se adaptar à novas tecnologias. Segundo Chaillan o atraso em IA e outros setores de tecnologia coloca em risco a segurança dos EUA. De acordo com boletins de agências de inteligências ocidentais - a China - deve dominar mercados chaves no desenvolvimento de descobertas auxiliadas pela tecnologia, como inteligência artificial, biologia sintética e genética, pela próxima década.

O ex-chefe de software do Pentágono pensa um pouco diferente: 'ele acredita que a dominação chinesa deve perdurar, no mínimo, pelos próximos 15 a 20 anos. Foi o que afirmou em entrevista ao jornal Financial Times: '- A China deve agora controlar todo o mundo, desde narrativas midiáticas a questões geopolíticas, conta Chaillan.'

Georges Soros declara em seu Twitter que Xi Jiping é o maior inimigo das sociedades abertas.

O senhor Xi acredita que Mao Tsé Tung inventou um tipo superior de organização, do qual ele é um seguidor: uma forma totalitária de sociedade fechada no qual o indivíduo é subordinado ao partido único do Estado”, escreveu o empresário.

Não foi a primeira vez que Soros mandou recado à Xi. Em 2019, em um discurso no Fórum de Davos, Soros fez o mesmo alerta sobre o crescente poder pessoal de Xi Jinping. Ele também afirma que a pressão chinesa pela posse de Taiwan vem deteriorando as relações com os Estados Unidos, o que pode levar a uma guerra. Afirma também que há um problema para Xi em 2022: o mandatário chinês tentará quebrar o sistema de sucessão de poder no país para se manter no comando pelo resto da vida.

'Ele sabe que o plano para se manter no poder tem muitos inimigos e ele quer ter certeza que eles não terão capacidade de resistência'.

 

Até a próxima!          

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Claudia Ribas

Claudia Ribas

Professora, Gestora de RH, Escritora.

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