25/04/2021 às 13h05min - Atualizada em 25/04/2021 às 12h34min

Liberdades!!! Não dar ao doutor César o que não é do doutor César. (Assista ao vídeo)

Alexandre Siqueira
No programa AGORA COM LACOMBE, do dia 16 de abril, debateram sobre pandemia no Brasil, e suas várias vertentes nas políticas adotadas, os convidados do jornalista Luís Ernesto Lacombe, o doutor Alessandro Loiola e o presidente da Associação Médica Brasileira, doutor César Eduardo Fernandes.

Assista:

https://youtu.be/Iq0-cX8cUoo

As posições do dr. Loiola sobre a pandemia, todos nós conhecemos, e ainda que com seus arroubos e franqueza, é respeitado por demonstrar conhecimento científico e domínio sobre o que fala, mas o que me deixou espantado, boquiaberto, foram os posicionamentos do presidente da AMB.

Não conhecia o Dr. César, mas vou lançar aqui o que percebi dele neste debate. Sabe aquela viseira que os muares usam (com todo respeito, sem a questão da ofensa, apenas como sentido figurado - justifico aqui, porque hoje em dia não se pode falar mais nada...)? É assim que o entendi. Sem máscara, mas com uma baita viseira. Ultrapassou os limites do extremo pragmatismo.
 
De imediato, ele tem a OMS e a imprensa como referências para suas convicções. Afff... Citou várias vezes as diretrizes da OMS, esquecendo-se ele, que essa mesma instituição já mudou seus parâmetros sobre os protocolos por diversas vezes, indo e voltando nas publicações que fazem.
 
Solidarizou-se com a imprensa, defendendo-a sob a alegação que sua atuação é de arbitragem, ouvindo dois lados, o que não é verdade. Só divulga um dos lados, e sabemos qual é. Em que mundo vive o doutor César?
 
Na discussão sobre a política pública do isolamento nas cidades, com fechamentos de tudo (exceto, o que entendem como essencial) e até aplicação do lockdown em alguns lugares e momentos, o dr. César faz vistas grossas para os reflexos dessas políticas. Além das (in)certezas da (in)eficiências das medidas, aumento do empobrecimento na sociedade, depressão, perda da dignidade e dos direitos constitucionais, enfim, uma série de fatores que atingem em cheio o cidadão, são camuflados no discurso do médico com a desenfreada narrativa da contenção da transmissão da doença, a qualquer custo, e ele é daqueles, o que não surpreendeu, que insere neste mesmo discurso a negatividade e o pânico, quando diz que estamos a caminho de 5.000 mortes por dia e 500 mil mortes em breve, e blá, blá, blá. Nisso, como não podia deixar de ser, inunda sua fala com lamentações sobre as perdas de vidas causadas pelo vírus.
 
Quero aqui fazer uma consideração: é mais do que óbvio que há de se lamentar toda vida perdida (toda e qualquer vida), bem como expressar nossa solidariedade para com as famílias atingidas, mas o que se faz hoje, além de usar essas perdas para atingir o emocional das pessoas, é praticar o oportunismo e a hipocrisia. É para lamentar muito isso!
 
O dr. César chega a se contradizer quando disse que todas medidas tomadas aqui no Brasil foram “infrutíferas e ineficazes”, e ainda disse que o Brasil é o epicentro da pandemia. Isso também não é verdade! Mais uma alfinetada para o temor geral. Continua o doutor na tábua do amedrontamento coletivo... Diz que há falta de leitos, é verdade, mas não toca nas irresponsabilidades dos governantes que não tomaram medidas para pelo menos minimizar o problema, e indica o isolamento como única possibilidade de ação. A ótica, obtusa por sinal, é sempre “tentar paralisar a contaminação”. Fora que o mundo inteiro sabe que essa questão da falta de leitos no Brasil não é de hoje.
 
Nem vou entrar no mérito da credibilidade dos dados de mortes e infectados que são fornecidos pelas Secretarias Municipais de Saúde. Isso dá pano pra manga... uhhh, se dá!!!
 
Num determinado ponto, cegamente, ele elege as diretrizes que a ciência orienta, mas inexplicavelmente, desqualifica outras vozes, também da ciência, que tem um ponto de vista diferente. Basicamente, ele as despreza. Audaciosamente, e no meu ponto de vista, irresponsável, ele é enfático ao se mostrar contrário a discussões, sobre QUALQUER DOENÇA, da controvérsia sobre o tema (segundo suas limitações em seguir as orientações de determinados terceiros). Para ele é o ponto final. Fala, inclusive, em banimento (ouça no vídeo). Não admite contestação.
 
Quando questionado sobre a independência, autonomia e liberdade do médico em prescrever, conforme seu entendimento, experiência e conhecimento, ele implica o tema filosófico para dizer que o médico não pode sair por aí receitando a bel prazer. Disse o doutor César: “A minha liberdade não me dá o direito de prescrever um medicamento que não traz benefício.” Isso equivale dizer que o médico tem que seguir dadas por ele próprio. Não deve conhecer a prática médica do receituário OFF LABEL. Ora, que liberdade é essa, doutor?
 
Gostaria de ver o dr. César orientar aos médicos, via AMB, que parassem de prescrever o KIT AZT para os pacientes aidéticos, visto que nenhum dos 22 medicamentos que compõem o kit tem a tal COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA para tratamento da AIDS, e mesmo assim, para efeito de prolongamento da vida destes infectados, não a cura! E olha que isso vem desde a década de 1980, portanto, há quase 40 anos.
  
Ignora o doutor César, que temos três documentos oficiais que asseguram e, mais do que isso, institucionalizam, a independência, a autonomia e a liberdade para os médicos. Esses documentos - Parecer da própria AMB, da qual o doutor César hoje preside, Parecer do CFM e a Declaração de Helsinque de 1964 da Associação Médica Mundial (WMA), da qual, tanto a AMB, quanto a CFM, são signatários -, podem ser vistos abaixo. Convido o nobre doutor César a ler.

https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/pareceres/BR/2020/4 

https://amb.org.br/wp-content/uploads/2020/03/OF.DIR_.042.2020-POSI%C3%87%C3%83O-DA-AMB-SOBRE-O-USO-DA-HIDROXICLOROQUINA.pdf

https://www.wma.net/wp-content/uploads/2016/11/491535001395167888_DoHBrazilianPortugueseVersionRev.pdf (Tópico 37)

Sobre as vacinas, tenho minha posição pessoal - quer vacinar, vacine-se. Não quer vacinar, não se vacine, mas que cada um faça seu juízo sobre as palavras do dr. César. A mim, não convenceu!!! Diferentemente das vacinas, que cabe salientar que a massiva mídia que foi exposta ao povo foi absorvida pelo senso coletivo, e a vacina está aí à disposição pra quem quiser, mas alguns tipos tratamentos, não! Depende do acesso (prescrição médica e local), do poder de compra e, principalmente, de lutar contra o avassalador martelo que bate todos os dias na cabeça das pessoas com a narrativa do contra. O que é inexplicável! Tem gente que não sabe nem o que está falando.

Deixei por último a mensagem que o doutor César deu para a indústria farmacêutica, ao dizer que “devemos muito à indústria farmacêutica...” Poxa, doutor... sabemos que literalmente os interesses do mundo industrial farmacêutico é antes de mais nada, financeiro, econômico. Há muito o que falar disso!!! Dentro do escopo da pandemia, assistimos órgãos, agências regulatórias e instituições médicas mundiais proclamarem medicamentos aprovados, e outros, não. Tem o mesmo fim para tratamentos diversos, a diferença está no $$$$ deles. Os que não tem patente, então, nem se fala. Mas isso é assunto para outra discussão.

Somados os posicionamentos do doutor César sobre a OMS, imprensa e indústria farmacêutica, isolamento, prescrições, resumidamente, podemos dizer que suas EVIDÊNCIAS PRAGMÁTICAS são mais fortes que as EVIDÊNCIAS DA REALIDADE. Pelo menos para ele!!!
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Alexandre Siqueira

Alexandre Siqueira

Jornalista e administrador esportivo. Articulista no Jornal da Cidade e Jornal Tribuna Nacional.

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