27/02/2021 às 21h51min - Atualizada em 27/02/2021 às 21h51min

A NOVA GUERRA FRIA É ELETRÔNICA

"Quanto vocês pagam por armas cibernéticas do inimigo?”

Nehemias Gueiros - Nehemias Gueiros
(REPRODUÇÃO)
A NOVA GUERRA FRIA É ELETRÔNICA

 "Quanto vocês pagam por armas cibernéticas do inimigo?”
A pergunta soou como um trote ou uma trolada de Internet ecoando no ciberespaço. Mas era muito mais grave do que isso.
Esta mensagem em forma de pergunta foi postada na Internet em 2016 por uma conta denominada “theshadowbrokers” (os Corretores de Sombras) e iniciou uma série de eventos eletrônicos que desencadearam ondas de choque nas agências de inteligência dos Estados Unidos e além-mar.
Durante quase um ano, os Shadow Brokers revelaram documentos secretos e sensíveis que mostraram como hackers pagos pelo governo americano penetraram em redes de Internet ao redor do mundo – tanto de inimigos quanto de aliados – para atrasar, corromper e deletar arquivos e informações. O gigante americano estava nu diante do mundo, com todas as suas nefastas práticas cibernéticas expost
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Os Corretores das Sombras fizeram mais do que revelar documentos. Eles expuseram uma coleção de ferramentas eletrônicas altamente secretas guardadas pela outrora inexpugnável NSA – National Security Agency (Agência de Segurança Nacional); sistemas de invasão eletrônica tão poderosos que os próprios hackers os apelidaram de “dinamite” e que agora estavam disponíveis para qualquer um 

na web.

 

O resultado foi desastroso. Hackers de regimes autoritários e ditatoriais apoderaram-se dos códigos de invasão e utilizaram-nos para realizar seus próprios e inconfessáveis ciberataques, causando prejuízos de cerca de US$ 14 bilhões (R$ 57 bilhões), infectando centenas de milhares de computadores e inteferindo com governos e negócios ao redor do planeta. 

 

As tradicionais agências de espionagem americanas (CIA, NSA, ICE, FBI, etc.) que estavam acostumadas a roubar segredos e penetrar as operações de inteligência de outros países amigos ou não, nem viram o que as atropelou.

 

O governo dos EUA iniciou então a maior operação de contra inteligência de sua história, tentando identificar o grupo dos Shadow Brokers, que mais tarde se soube que tinha origem na Rússia.

 

O que esse grupo de jovens nerds conseguiu mostrar ao mundo foi indisfarçável: os Estados Unidos e seus aliados não tinham mais o domínio eletrônico de antes, mesmo tendo sido o país que criou e desenvolveu a Internet a partir da rede militar DARPA nos anos 1960. Ataques eletrônicos destruidores e quebras de senhas e códigos tornaram-se o pesadelo real de governos e autoridades em geral. 

 

Hackers chineses invadem computadores de empresas e do governo americanos e furtam segredos industriais e bases de dados inteiras, enquanto piratas eletrônicos russos interferem em centrais elétricas e processos eleitorais de seus adversários. Até mesmo países isolados como a Coreia do Norte e o Irã têm a capacidade de causar danos a multinacionais planetárias como Sony e Aramco. 

A arena caótica das operações cibernéticas não é o que os militares e senhores da guerra imaginaram e planejaram em seus bunkers subterrâneos. Eles sempre consideraram a guerra cibernética um equivalente digital à guerra atômica: devastadora mas rara. Ledo engano.

 

Em vez daquela visão apocalíptica, os ataques cibernéticos tornaram-se quase que comuns e hoje são parte integrante da competição geopolítica global. Eles acontecem diariamente. É um jogo sem fim de espionagem e engano, ataque e contra-ataque, desestabilização e retaliação eletrônica. 

 

Os alvos? Todos os links globais de comunicação, mecanismos de criptografia, empresas de tecnologia da informação e computadores em geral, que pessoas e empresas utilizam diuturnamente no simples ato de conduzirem suas vidas pessoais, profissionais e políticas.

 

Trata-se de uma nova forma de estado, invisível, intocável, mas muito mais letal e temível do que qualquer político jamais imaginou e com impacto inexorável na sociedade planetária.

 

Para o bem ou para o mal, os hackers estão forjando o futuro do mundo.

 

~ Copyright © by Nehemias Gueiros, Jr.




 
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