13/07/2020 às 14h50min - Atualizada em 13/07/2020 às 14h50min

Por que eu quero que a Folha de SP acabe

Uma paródia reflexiva

AUTORIA PRÓPRIA
Kaio Lopes
(REPRODUÇÃO)
A Folha de SP foi diagnosticada com o vírus da credibilidade afetada. Torço para que o tratamento não tenha cura e ela acabe. É, em parte, pessoal. Como ainda não escrevi aqui nada a respeito do assunto, o farei agora: apesar de teorias consequencialistas e de antiéticas profanas estimularem e tornarem relativas práticas maldosas, eu abraço intimamente a realidade deontológica, porque ela, de importância secular, dá valor ao caráter individual e ignora o malefício enquanto resultado crucial de um agente metafísico. Penso que o fechamento de uma mídia é proposta plausível, caso surja daí um aprendizado maior. A sobrevivência da Folha de São Paulo, como de qualquer outra grande imprensa, já teve valor e sua paralisação seria questionável. Mas como na deontologia cada coisa é definida pelo o que é e não por aquilo que um dia poderá ser, o fim deste jornal seria efetivamente defensável, se tivermos, à prazo imediato, a justa causa e a critério do jornalismo, o encerramento de plataformas da mesma natureza. 

A priori, a ausência da Folha seria, também, a presença da verdade como fundamento mantenedor de uma imprensa expressa. Significaria, como corolário da liberdade, a morte de uma mídia que hiperboliza a tragédia e sabota a governabilidade de um presidente legítimo. Isto resgataria a plenitude jornalística? Deve-se entender, antes, que a cada título sensacionalista do jornal, há a procedência de desserviço informativo e o estímulo da crise moral entre seus leitores. 

Observação nem tão irônica assim: é justamente este veículo de ''comunicação'' aquele dito vítima da opressão do Estado que o mantém. Ganhos sociais sem a inclusão do seu fechamento propriamente dito, implicariam nas restrições, mas, com certeza, não em seus fins, dos abusos editoriais e das sucessivas intervenções nas esferas diversas - desde cultura até religião. Num aspecto mais probatório, o castigo contra o jornal local mais irresponsável no cenário noticioso, serviria como uma ''RED PILL'' dentro do descalabro desinformativo. Dificultaria, em muito, a inspiração de grupos concorrentes (mas não menos convergentes) no ideal gramscista internalizado nos detentores da ordem última, o que, acertadamente, os limitaria ao livre exercício da informação e não mais ao autoritário comportamento da dedução. 

Assim, contudo, a Folha de SP teria, no seu destino, utilidade maior ao propósito que a principiou de início e por ela foi abandonado no processo. 
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Kaio Lopes

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Crônicas e posições em geral.

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